A realeza de Nossa Senhora há de se explicar, portanto, em função da de Jesus Cristo Rei. Assim sendo, recordemos certas idéias sobre a realeza de Cristo, de cuja associação deriva a de Maria.
Cristo, Rei natural; o Filho do Pai
Alguns reis o tem sido pela eleição dos homens ou pelas distintas vicissitudes históricas. Entretanto, poder-se-ia dar o caso, corrente entre os animais, da existência do rei natural, a saber, daquele que por suas condições se eleva e se distingue de tal forma que se pode dizer que sua natureza o impõe como diretor e governante. Tal ocorre entre as aves migratórias com a que lhes serve de guia; tal poderia ocorrer em uma tribo semi-civilizada com o homem culto e bom que nela vivesse.
Cristo, sendo Homem Deus, reúne condições tão superiores a todo homem e que o colocam acima da humanidade e com mais títulos e ciência que qualquer outro para governá-la.
Se a isto acrescentamos que enquanto Deus é o Criador e Senhor de tudo, dito está que tem direito a ser o Rei não só no sobrenatural, senão até no natural e civil, embora não tenha querido exercer esta segunda função, como afirmou perante Pilatos.
Cristo, Rei por Redenção
O direito de redenção - libertação do poder de Satanás e do pecado - e inauguração de seu reinado de graça equivale ao (direito) de conquista. Por este título, Jesus Cristo seria Rei unicamente na ordem sobrenatural, posto que a esta se limitou a Redenção.
(CLÁ DIAS, JOÃO. Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado. Artpress. São Paulo, 1997, pp. 432-433)
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